Google Tag Manager

sábado, 5 de maio de 2012

Por que as empresas fecham



GESTÃO
Pesquisa mostra quais os principais erros cometidos pelas empresas que fecham. Confira e veja o que fazer para evitá-los   
 Fonte: http://www.noticenter.com.br/noticia/?COD_NOTICIA=17021&COD_CADERNO=0                    
Por Carlos Tonet
tonet@noticenter.com.br


 
 




 
 
 
 
 
 
   
   
Uma pesquisa feita em 2011 com 650 empresários que haviam fechado suas empresas apontou sete principais motivos para o fracasso. Em primeiro lugar apareceu o baixo faturamento, responsável por 39% dos casos. Em segundo lugar, com 33%, veio a baixa produtividade. Os gastos excessivos, com 24%, vieram na terceira posição. O quarto lugar (20%) foram brigas entre funcionários. A mão de obra insuficiente ficou com 18%, ocupando a quinta posição, enquanto que a incapacidade de atrair clientes foi citada por 15% dos entrevistados. O sétimo lugar ficou com os conflitos com fornecedores, com 12%.

A pesquisa foi realizada pela Nogami Participações, empresa de consultoria do economista Otto Nogami, que em Santa Catarina atua como diretor do Valor Humano Instituto de Ensino e Pesquisa, instituição especializada em MBAs, cursos de pós-graduação e in company. Nogami apresentou os dados acima citados na palestra “Por que as empresas quebram”, proferida na sede da Associação Empresarial do Médio Vale do Itajaí (Acimvi), em Timbó, no último dia 20.

Nogami diz que não existem empresas totalmente livres da ameaça de falência. “Trata-se de um risco que atinge empresas de todos os portes, de todos os setores e de todas as nacionalidades”, destaca. “Devemos aprender com as que não deram certo, para que possamos evitar os mesmos erros”.

Com base na pesquisa realizada pela Nogami Participações, o economista identificou dez razões pelas quais uma empresa pode quebrar. “Os motivos são vários, começando pela própria matemática aplicada de forma errada. Existe também a culpa de empresários que não aceitam outra forma de administrar que não seja a deles próprios, além de um crescimento sem controle e uma contabilidade pobre”, assinala.

As quebras podem acontecer também por motivos simples, como a falta de capital de giro, ou motivadas pela ineficiência operacional e a disfunção administrativa. A lista é completada com a inexistência de um bom plano de sucessão e com o declínio de determinado mercado.


Carlos Tonet/Noticenter
Nogami apresentou os resultados em palestra na Associação Empresarial do Médio Vale do Itajaí


FALHA HUMANA

De acordo com Nogami, os motivos pelos quais novos produtos ou serviços fracassam passam, na maioria das vezes, por decisões equivocadas tomadas pelos gestores. “Há uma grande parcela de falha humana entre os motivos que causam o fechamento de uma empresa”, assinala. “Numa empresa, o plano de marketing pode ser perfeito, a estratégia de vendas pode ser um primor, mas tudo pode ir água abaixo se não houver alguém capaz de promover uma correta implementação, fazendo as correções necessárias em tempo hábil”.

Em sua palestra, Nogami citou dez dos principais motivos pelos quais novos produtos ou serviços fracassam:

1. Profissionais erram ao analisar o clima do mercado. Nem sempre o sucesso do concorrente significa que você também irá lucrar. Nem sempre uma necessidade que não está sendo explorada significa um mercado grande o suficiente para manter um produto ou serviço, nem que tal mercado está pronto para consumi-lo.

2. Os produtos e serviços são oferecidos ao público-alvo errado.

3. A empresa utiliza uma estratégia de posicionamento muito fraca.

4. Para reduzir custos, o produto ou serviço é oferecido com menos atributos ou benefícios do que o mercado deseja ou os vendedores falham na hora de comunicá-los.

5. A empresa erra na estratégia de preço.

6. Existe pouca publicidade ou ela é feita de maneira que os consumidores em potencial não ficam sabendo da existência do produto ou serviço.

7. Excesso de otimismo a respeito do novo produto/serviço cria expectativas de vendas impossíveis no mundo real.

8. O novo produto/serviço canibaliza o restante do portfólio da empresa, causando uma queda no seu lucro. Ou seja, o novo produto ou serviço, em vez de ganhar novos mercados, atrai apenas os clientes que você já tem, que trocam suas soluções antigas pela nova. Você acaba com dois itens para gerenciar, que fazem a mesma coisa para o mesmo público.

9. O plano de marketing é perfeito; a estratégia de vendas, um primor. Mas não há, na empresa, quem os implemente, corrija suas rotas e faça os ajustes necessários. Assim, os planos são estabelecidos pela metade ou abandonados.

10. Seja a direção geral, marketing ou vendas, alguém decreta que o produto ou serviço morreu e nada mais pode ser feito. Assim, ele é retirado do mercado, quando simples ajustes permitiriam um ressarcimento lucrativo.



CASOS REAIS

Na palestra, Nogami citou casos reais de grandes empresas que erraram em suas estratégias, citando os motivos:

Agem por impulso - Novos mercados, mesmo que pareçam ser uma evolução natural do negócio, precisam ser avaliados com cautela. É o caso das rotas internacionais da TAM, que quase quebraram a empresa. A TAM decidiu entrar nelas pelo simples fato de quebra da Varig, mas não tinha a mesma expertise.

Subestimam a opinião pública - Consumidores, ONGs e formadores de opinião podem destruir a reputação dos melhores produtos. É o caso dos transgênicos da Monsanto. Hoje, grande parte dos alimentos consumidos são transgênicos, mas a Monsanto ficou estigmatizada por ter falhado ao ter a imagem atacada por grupos radicais da ecologia.

Superestimam o mercado - Tão importante quanto criar as inovações é saber se existe mercado para elas. Foi o caso do Iridium, da Motorola, um supercelular que permitia falar com qualquer parte do planeta. No entanto, pouquíssimas pessoas no mundo têm essa necessidade.

Não têm Plano B - Por melhor que o projeto pareça, é preciso pensar em alternativas para o caso de fracasso. Foi esse o motivo do fracasso da fábrica da Mercedes em Juiz de Fora (MG). Ao lançar o Classe A, a empresa viu-se diante de um conflito de mercado entre as pessoas que desejavam a marca. Sem ter uma alternativa de mercado, fechou as portas e assumiu um prejuízo gigantesco tanto em mercado como em termos de imagem.

Não pensam no longo prazo - O que é bom para a empresa hoje pode se tornar um problema no futuro. Pressionada pelos sindicados americanos durante períodos de produção elevada, a GM cedeu muito facilmente às reivindicações. Quando o mercado arrefeceu, viu-se em maus lençóis.

Seguem a manada - Correr atrás de uma tendência não é garantia de sucesso. Exemplo disso foi o Portal Amélia, criado pelo Pão de Açúcar, que se baseou no sucesso de outros portais de e-commerce. Posteriormente, ao pesquisar as causas do fracasso, a empresa descobriu que quem mais compra nos supermercados são os homens, não as mulheres, alvo principal do portal Amélia. Hoje, as lojas da rede investem muito em áreas para homens, como vinhos, queijos e outros artigos de gastronomia.

Crescem a qualquer custo - Fusões ou aquisições entre empresas muito diferentes podem gerar fracassos. Exemplo clássico foi a compra da Compaq pela HP.  As duas empresas tinham produtos e culturas diferentes e não complementares. Ficou impossível para a HP entender o negócio da Compaq.

ALIE-SE AO SEU CONCORRENTE

“A habilidade para tomar boas decisões é a chave para a performance de sucesso”, afirma Nogami. Para o economista, os gestores de empresas que buscam o lucro deparam com um longo espectro de importantes decisões nas áreas de formação de preço, escolha do produto, controle de custo, propaganda, recursos para investimento e política de dividendos.

Nogami destaca que o grande desafio para as empresas brasileiras está em alguns pontos básicos:
1) É preciso se organizar em torno de processos.

2) Esforços centrados no cliente.

3) Estrutura ágil e enxuta.

4) Ser focada na sua atividade, sua razão de ser.

Um dos pontos que o economista destacou em sua palestra foi a relação com os concorrentes. “Converse com os concorrentes. Não fuja deles. Participe de encontros entre empresários e não tenha medo de conversar com o concorrente. A troca de impressões sobre percepções de mercado e visão do negócio pode ser útil para ambos”.

Matéria publicada em 25/04/2012